Celia Betrián, psicóloga: 'Como seres sociais, é normal buscar a aprovação dos outros'
Publicado em 27 de maio de 2026 às 10:08
Afinal, quais são os fatores que afetam sua saúde mental?
Celia Betrián, psicóloga: 'Como seres sociais, é normal buscar a aprovação dos outros'; Monica Geller, de 'Friends', é um exemplo de personagem perfeccionista Algumas pessoas estão sempre tentando agradar os outros e, para a psicologia, isso pode ser negativo Rejeitar as emoções negativas pode acabar trazendo problemas mentais a longo prazo É importante ter momentos de descanso para que a mente não fique sobrecarregada Dar muita importância ao que os outros pensam pode acabar deixando a saúde mental prejudicada

A Organização Mundial da Saúde afirma que as doenças mentais representam 12,5% de todas as patologias. Atualmente, 450 milhões de pessoas no mundo são afetadas por uma doença mental, neurológica ou comportamental que dificulta sua vida. 

Além disso, estima-se que 25% da população venha a sofrer de alguma doença ou transtorno mental ao longo dos anos. Após a pandemia, as doenças mentais se intensificaram exponencialmente e, na maioria das vezes, nem as reconhecemos. 

A psicóloga Celia Betrián alertou em entrevista ao "Trendências": “Sua saúde emocional tem muito a ver com os limites que você estabelece”. V

Veja a seguir alguns erros que você pode estar cometendo sem nem perceber e que podem influenciar negativamente a sua saúde mental.

1) Comparar com os sucessos dos outros

“Evite comparações, cultive um bem-estar psicológico equilibrado e comece a se acostumar com a rejeição e as críticas”: esta é a primeira dica da especialista em psicologia, saúde mental e relacionamentos. 

“Uma boa autoestima protege você do mundo exterior. Se valorize e acredite sempre em si mesmo. Aceite como você é e lembre-se dos seus valores, conquistas, pontos fortes e traços positivos”, explica Celia ao Trendencias. 

2) Acreditar que você pode fazer tudo sem levar em conta seus limites

É importante lembrar que a vida não é uma "corrida de longa distância”. 

“Cuidado com a autoexigência e o perfeccionismo. Saiba qual é o seu limite e diminua o ritmo, se necessário. Aceite seus traumas, seus medos e inseguranças como algo que faz parte de você. Conheça tanto seus defeitos quanto suas virtudes. Leve em conta sua situação pessoal e seu ritmo de vida”, diz a psicóloga.

Além disso, ela insiste que qualquer objetivo fora das suas capacidades vai fazer com que você fique frustrado ao perceber que não consegue alcançá-lo.

“Comece com algo que possa lhe trazer uma recompensa a curto prazo e vá, aos poucos, aumentando a dificuldade do desafio. Pare e analise seus objetivos com frequência para ajustar o que você considerar necessário”.

3) Não descansar o suficiente por achar que isso é “improdutivo”

Não fazer nada também é fazer algo por você: “Observe suas emoções à distância. Perceba que cada pensamento ou imagem que passa pela sua mente não é uma emoção em si, mas apenas uma interpretação dela. Não acredite em todas as imagens ou pensamentos que surgem quando você sente essa emoção”, explica Celia Betrián.

 
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4) Dar muita importância à opinião dos outros

A especialista afirma que, como somos seres sociais, é natural buscar a aprovação dos outros. 

"Não há autenticidade nos relacionamentos e nem as necessidades nem as opiniões são expressadas. A principal preocupação é se sair bem e agradar. Por isso, os encontros com outras pessoas geram estresse, tristeza ou ansiedade. Assim, é importante conhecer a si mesmo e trabalhar a autoestima para estabelecer limites e aprender a dizer não”, indica.

Além disso, Celia nos lembra que nosso valor não diminui pela incapacidade do outro de reconhecê-lo.

“Ame a si mesmo em primeiro lugar e esse amor se refletirá em seus relacionamentos. Nunca se esqueça de quem você é e de quem você quer ser; não deixe que ninguém lhe diga como você deve ser. Se valorize e acredite em si mesmo sempre”.

5) Se agarrar ao que dói por medo de que soltar doa ainda mais

Celia dá uma dica importante. “A sua vida está do outro lado do medo. Enfrentar tudo o que o impede de seguir em frente permitirá que você assuma o controle da sua vida”, afirma a especialista.

6) Rejeitar as emoções

A especialista lembra que as emoções são “incontroláveis” e é importante entender o que fazer com isso. 

“Elas simplesmente surgem. O importante nesse momento é aceitar que elas estão lá, em vez de se resignar ou rejeitá-las, pois, assim, elas se intensificam e surge o mal-estar”, diz. 

Dica final: cuide-se e coloque-se em primeiro lugar

Betrián afirma que muitas doenças físicas têm origem na mente e em questões não resolvidas. Tenha sempre na cabeça que sua saúde mental é mais importante do que seu passado, os outros, opiniões, comparações, exigências, medos... Estar em paz não significa não ter emoções ou ignorá-las, mas sim aceitar todas elas.

“Se cuidar da sua saúde mental significa decepcionar alguém, então decepcione todo mundo”, ressalta a especialista. Ela conclui nos lembrando da possibilidade de pedir ajuda quando precisarmos. Afinal, consultar um psicólogo também é um ato de amor próprio!

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Apaixonada por livros, séries e restaurantes com comida diferente. Libriana e curiosa, poderia passar horas pesquisando sobre os mais diferentes assuntos.
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